10.1.07

Fragmentos de férias anteriores

É tempo de alugar DVDs na 2001 ou na Blockbuster e atrasar na devolução. É tempo de visitar aqueles sebos preferidos e garimpar por livros que há algum tempo estou para ler; e de ler aqueles que há alguns meses comecei e parei no capítulo 3. É tempo ir à praia, levar o jornal do dia e tentar ler enquanto o vento teima em amassar o papel na minha cara. É tempo de descobrir novos bares, novas pistas de dança e de criar minhocas na cabeça a respeito do futuro.

9.1.07

Rebouças em trajes de gala

Os pneus atritam no asfalto claro. Entro no túnel. Pergunto-me onde estarão todos aqueles carros que às sete não me deixam fluir. Talvez, por ser janeiro, estejam a milhares de quilômetros; talvez, por ser sábado, divirtam-se na imensa cidade; talvez, por ser noite, estejam deitados em seus leitos. Sinto vontade de estar em todos, em tudo, ser todos, estar em todos os lugares, desmanchar-me no ar e permanecer em cada recanto de tudo que é matéria para poder existir de todas as formas. Acho que penso nisso tudo pra saber se vivo certo.

5.1.07

Ângulo

Hoje, cinco de janeiro, pela última vez: cheguei atrasado, tomei no copo descartável aquele café de um real (dessa vez com açúcar, muito açúcar), ouvi aquele sinal estridente, mijei no mictório do banheiro da lanchonete, deixei o carro no estacionamento de solo pedregoso, atravessei a Consolação, esperei o semáforo com a Paulista esverdear e... Haverão, haverão outras vezes em que beberei um mísero café em copo de plástico ou botarei meus tênis na rua da Consolação, mas aquelas foram as últimas, últimas porque as outras vezes farão parte de um não-sei-o-quê.
Eis o verdadeiro ritual de passagem.

3.1.07

Traquinagens

A gente dividia um pacote de bolacha. Você comia o recheio cor-de-rosa e eu mastigava o biscoito. A gente andava de meia pela sala; eu deitava no sofá e você, na cama. A tv, o rádio. E a tarde desceu sábado e domingo.

Para constar

A virada passei na casa da minha avó. Como em toda boa festa de família nipônica, houve uma suruba alimentar (no bom sentido, claro); todo mundo junto: bacalhau, sashimi, carne de porco e moti! (Moti, para quem não sabe, é uma massa de arroz que geralmente é comida no ano-novo para dar sorte; pode vir dentro de um caldo cheio de "troços", que variam do shitake à coxa de galinha esfacelada, ou algo do gênero). Depois da comilança, tomei banho de ofurô, deitei na cama que faz massagem (sim, minha avó tem uma cama massagista) e também me dei conta de que adoro os banheiros da casa dela!
OBS: as "últimas" do ano (vide post anterior) foram: uma bala doce demais, alguma música que não lembro qual e "essa é a minha hora e a minha vez" (acredite!).