Eu quero falar uma coisa, mas estou com receio. É que se eu falar vão achar que eu fui uma pobre criança sem infância ou que sou um jovem sério demais... Tá bom, vou falar. Devo falar. Ai... Aí vai: eu nunca tinha assistido a Curtindo a Vida Adoidado até a última quinta-feira. Calma! Eu sei que esse é um clássico da Sessão da tarde, que a Globo já reprisou o filme umas 912 vezes e que 98% das pessoas da minha idade já o viram - mas eu não tinha assistido até então. Uma boa explicação para isso seria o fato de eu ter sido eu um garoto que cursou a maior parte de seus anos escolares no período vespertino e que, dessa forma, era impossibilitado de assistir a programas que passam à tarde, como a Sessão... da tarde. Uma outra explicação plausível seria o fato de eu, quando criança, ter tido como preferência absoluta de canal televisivo o SBT, talvez por ser o canal do Carrossel, ou, mais provável, pela influência da Cida, uma babá que cuidou de mim e de minha irmã, que passavam a semana em casa e adorava novelas mexicanas como Rosa selvagem e programas "jornalísticos" como Aqui agora; dessa forma, o fato de eu estar na comunidade orkutiana "O SBT formou meu caráter" não é graça nem discurso, na medida em que eu preferia em meus temos pueris assitir a Mara Maravilha a Xuxa, Bom Dia & Cia a Tv Colosso e Maria do Bairro a O Rei do Gado. Mas o fato é que curti o Curtindo a Vida Adoidado, achei o filme um tanto quanto divertidinho e bobinho, do jeito que gosto. Mas, mais que isso, gostei dele porque o filme - por ter como protagonista um garoto que perde um dia de aula para "curtir a vida" em uma Ferrari junto com a namorada e o melhor amigo - tem a resposta de por que em vez de eu ter sido um garoto-problema-cabulador-de-aulas-para-curtir-a-vida-adoidado-em-uma-Ferrari, me tornei um garoto-problema-exageradamente-dramático-revoltado-rasgador-de-advertências-escolares-e-que-passou-trote-à-polícia-nos-EUA (mas essa é uma longa história).
obs. 1: Talvez eu tenha exagerado na minha porcentagem de 98%.
obs. 2: Ok, admito: exagerei (descobri isso quando percebi que a maioria dos meus amigos também nunca tinha assistido ao filme!). Exagerei também no meu "receio": fiz "doce". Mas, perdoe-me, leitor: esses exageros são resquícios de minha infância embriagada novelas mexicanas.