os insetos que não me esquecem. e é de noz, de tofu, de cereja, de natal. eu digo que quero de volta, isso bem no recôndito da memória, quando cochilo no sofá na espera da campainha do aparelho. ao mesmo tempo, não quero outra revolta, de 20 anos mais ilusões, do outro lado, leste, e da falta de fala. se vier, eu vou, e a vida vai ser outra. mas o medo de que seja outra é muito grande, grande demais, pesada demais, do tamanho do monstro dos sonhos de antes, que empurravam o carro ladeira abaixo, nada com os sonhos de 20 anos mais tarde, sem carros, mas com listas de 'porquês'. os motivos da vida - que causam -, flechas - que levam e lançam para não sei onde. tento cantar com os vidros levantados, porque a voz não é das melhores, tento caminhar de rosto baixo, porque a expressão não é das melhores, tento usar a malha e o cachecol, porque a saúde não é das melhores, e tento tirar-extirpar um pedaço da carne que se criou já um tanto degradada, porque assim é melhor, porque por mais eu não saiba bem o que se faz de bem ou de mal, tudo que é feito com uma força maior que o comum é prejudicial. mas isso foi tema de uma outra reflexão, segundo a qual precisa-se empurrar um pouco com a ponta dos dedos em uma superfície lisa, quase livre de atrito, para que haja vida, mesmo que prejudicial.