foram três outubros e quase no dia anterior: eu no meio da rua vazia, você em sua antiga casa, eu perto do Mackenzie, meia e bermuda no corpo na cama, filmes - talvez, "Annie Hall" -, e um "oi" no computador que, é, não se lembra muito bem. e tudo começou estranho desde aí: claro, escuro, claro, escuro, com eu que ainda espero, principalmente em outubro, quando tem chuva sim, chuva não e rua vazia e molhada com cheiro de natal. porque desse ano eu esqueci da sexta e não procurei pelas pessoas - e nem canudo colorido teve. nisso, pensei comigo sobre o dia da mão no cabelo e você, ah, que gentileza, que maravilha seria se a vida fosse uma costura de encontros, de sorriso bobo e ruguinhas que fecham os olhos. eu ainda te vejo nesses pontos de ônibus indo sempre nas mesmas manhãs de sábado, mas o trajeto, eu tento mudar.
27.12.09
22.12.09
glacê real
aquela quinta-feira foi um pouco de açúcar, e o sorriso no travesseiro quando não tem mais luz é o toque de felicidade que a vida precisa para não desistir de tudo. é como se, no dia seguinte, tudo dá certo porque, além de lembrar de ontem, o ar está úmido e parece que vai continuar chovendo. e eu consigo trabalhar para que as horas passem logo e eu possa continuar a sorrir.
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Saulo
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04:09
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quando não consigo mais atravessar as noites, penso nas tardes passadas sob a árvore, quando eu nem ligava para aroma de café. ter uma companhia assim me faz esquecer de vida de verdade e só lembrar da lembrança de querer sua mão no cabelo. é melhor querer sem poder do que não querer mais nada.
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Saulo
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04:05
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9.11.09
e a luz chegou quando em outra já se estava. não em outra gente, outra troca, mas em outra era, como se tudo trocasse de repente.
e lia-se quadrinhos do japão no transporte público e ouvia-se o oculto no transporte público. lá também se via o desconhecido até a boa hora chegar.
mas quem chegava era a luz. e era eu. e eu sou imperador dos reencontros, por mais que o resultado não se dê, ou se dê fraco, quase morto.
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Saulo
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13:30
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vanguarda russa
quando ouvi os sininhos, pensei na bailarina dançando, rodopiando por entre os corpos espaçados. achei estranho ouvir sininhos (mesmo que melodia concebida eletronicamente) depois de tudo continuar na mesma. o que é pior: tudo continuar na mesma explicitamente. é quando vem uma notícia verbal - escrita, falada ou sei lá - que constata: tudo está na mesma, não há novidade no caso, trate de esquecer de tudo e iniciar um novo estudo. minha nova hipótese, portanto, diz respeito às xícaras de porcelana branca. e eu, ó-ceus, que falei que a cerâmica era porcelana e vice-versa?! mas que coisa besta, meu deus! e, sim, ele me disse que eu reparo nos detalhes mais sem sentido, mas eu sinto nos detalhes. só não respondi isso a ele. eu reparei, por exemplo, que um sorriso na noite de sábado se estirou por todos os cômodos: a escada; a sala; o espelho do banheiro. por fim, apenas atravessei e reparei nas meias. quem repara em meias, meu deus? uma vez eu sonhei. vanguarda russa, eu dizendo: mas que moldura bonita, meu deus. acorda. e mais notícias recebo de que tudo continua na mesma, e eu respondo - novamente a mim mesmo - que pelo menos consegui verter três lágrimas na sala escura na noite de domingo. para mim mesmo, é claro.
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Saulo
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13:21
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