um automóvel, num dia como aquele, é tudo menos um automóvel. os ônibus continuam a passar com roupas comuns e desgastadas; àquela altura, pelo menos, a marginal é mais vazia.
e sempre tem um que troca as datas: bandas dos 60, coreografia dos 50; lady gaga, passos de bee gees; axé music temperada com corpos de underground.
também existem as bebidas funcionais. uma vodca boa, mas aguada de gelo e escondida em energético. o kiwi é fruta, mas sofre na coqueteleira. os passos com garrafas. tudo com uma intencionalidade. diferente de sentar - soft opening - e pagar.
foi nesse dia em que ela se apaixonou pela primeira vez por muletas. por mais que embriagadas e cobertas de gaze elas estivessem. quero andar com você num dia(,) claro, ela dizia a elas. vem comigo.
depois sempre tem um grandão bobão, o que era o sonho dela outra. e que cheiro bom. não que ele pudesse pagar uma bebida, mas era tão bobo, e ela tão boba que a mistura deu certo. mixologia.
e vem depois me perguntar - ou afirmar - se me conhecia. sim, eu conheço, mas conheço tanta coisa que desconheço tanto que vou te falar. é quando eu procuro o espaço para caminhar e cantarolo a canção dos 60 que o colega faz passos dos 50. depois disso, tudo dá certo.
16.1.10
a 92
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Saulo
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17:12
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9.1.10
véspera de véspera
lá do alto,
sua obsessão: olhar para o meu rosto. quase um roteiro não verbal: vem para baixo, sobe, mãos em minhas bochechas e um olhar que vem lá de cima - quantos centímetros sobre mim? depois, atrás, na frente, e mais meu rosto. eu, com milhão de perguntas abaixo, desisto.
tenho apreço por toda gentileza, que fique sabido.
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Saulo
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06:50
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27.12.09
papel' ou do que é preciso
do que preciso agora é um pedaço de papel. de planta que já foi viva e agora é papel, ou de papel que já foi papel e hoje vira papel linha, papel b, papel c, papel d.
se nas esquinas do que se pode chamar de companhia de toda vida encontrei um guarda-chuva, me pergunto por que não um pedaço de papel. não é fácil depender de quem precisa ser carregado a cada três horas!
é por isso que levo assim: aos pouquinhos. era de se economizar.
porque preciso do preciso. senão, dá vontade de pegar o avião - e olha que para acontecer precisa de muito. é que, mesmo a mim, não basta a vida da bolsa térmica com salada de quinua, passas, tomatinhos, pedacinhos de damascos, castanhas e suco de limão.
eu apenas digo tchau (muitas vezes nem isso) porque a vontade agora é de virar do avesso, do avesso de novo e do avesso de novo, mil e uma utilidades.
[banco da prainha, tarde chuvosa, companhia de formigas e notebook, dezembro/2009]
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Saulo
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14:30
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alvy singer
foram três outubros e quase no dia anterior: eu no meio da rua vazia, você em sua antiga casa, eu perto do Mackenzie, meia e bermuda no corpo na cama, filmes - talvez, "Annie Hall" -, e um "oi" no computador que, é, não se lembra muito bem. e tudo começou estranho desde aí: claro, escuro, claro, escuro, com eu que ainda espero, principalmente em outubro, quando tem chuva sim, chuva não e rua vazia e molhada com cheiro de natal. porque desse ano eu esqueci da sexta e não procurei pelas pessoas - e nem canudo colorido teve. nisso, pensei comigo sobre o dia da mão no cabelo e você, ah, que gentileza, que maravilha seria se a vida fosse uma costura de encontros, de sorriso bobo e ruguinhas que fecham os olhos. eu ainda te vejo nesses pontos de ônibus indo sempre nas mesmas manhãs de sábado, mas o trajeto, eu tento mudar.
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Saulo
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14:24
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22.12.09
glacê real
aquela quinta-feira foi um pouco de açúcar, e o sorriso no travesseiro quando não tem mais luz é o toque de felicidade que a vida precisa para não desistir de tudo. é como se, no dia seguinte, tudo dá certo porque, além de lembrar de ontem, o ar está úmido e parece que vai continuar chovendo. e eu consigo trabalhar para que as horas passem logo e eu possa continuar a sorrir.
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Saulo
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04:09
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