quando desço sua casa, a bahia já chegou.
eu, que pensava que sua morada, pelo nome, era sergipe mais bahia.
o carro parou, e eu caminhei por terras nunca antes caminhadas - vim de longe.
é o xampú, o caso bom, o pé descalço, você sabe.
e os pneus, que passam por caminhos nunca antes explorados. e a padaria, que não é a mesma da infância
7.9.10
visita
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Saulo
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03:44
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20.7.10
ocidental
a gente se conheceu na bahia.
nada de malagueta/dendê. talvez um pouco de café, espuma de leite, pó de canela, guardanapo de papel.
lembro até hoje: logotipo de padaria carimbado em celulose.
falo como se tivesse sido na última década: lembro e até e hoje. os relevos da sua mão, lembro até hoje. uma bênção.
clique de elevador e a viagem por bahia e - brinde - sergipe - tudo no mesmo prédio.
- faça você o café, anfitrião. aqui não é a minha casa.
sua morada a algumas milhas. é só fechar os olhos, seguir a música - fica do ladinho do rio.
meu carro lá (prolongado) embaixo.
não há quarto de hóspedes na bahia.
-
o sem-número de passar de olhos pela estante: encontro de gerações.
sobre a pelúcia: felpudo, aconchego, baixa luz. você em outro território: terra-cozinha. meu medo: parecer piegas, mas o trecho é válido.
poemas. r. piva.
alta voz, eu tento.
você introduz, te introduzo: poeta para mim, jazzista para ti.
-
não gosto muito de quando ri. vodca mais café? meu jeitão.
dos goles de vinho.
do saca-rolhas emprestado - toc toc.
-
os livros de arte sobre a mesa, jogamos todos.
sua doutrina arquitetônica: agradeço as aulas.
um passado não muito distante. um não-número no celular.
simples assim.
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Saulo
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03:02
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7.7.10
à moda de
a noite está fria do jeito que você gosta, eu sentado sozinho à mesa como você não gosta - e só consigo pensar, nessa noite, sobre o que você gosta ou desgosta. e eu quero saber se você ainda gosta.
o entorno desinteressante de: garçons burocráticos, homens que olham para baixo, televisores sem som, assoalho de madeira. dentro desse casaco, tanto tempo que não visto, você parece aqui. eu caio na questão de quantas coisas você realmente gosta ou desgosta.
escrevo listas mentais, sem coragem de transportar para o papel da caderneta de cor vermelha, e descubro que o passado foi de gostos e desgostos - pela roupa preta, pelo cabelo bagunçado, pela carne ao ponto, pelo o que não é proibido fazer dentro de casa quando chove.
desculpe, garçom, mas salada não. essa é noite de comida de mãe.
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Saulo
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02:16
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26.6.10
fim e dia
você bochechas rosadas porque bebeu. semi-cachos semi-desfeitos. camisa um pouco aberta, mangas meio soltas. estacionou onde não devia, correu pro caixa, água geladinha de garrafa, caso urgente. dia não fácil. ou não fácil por demais fácil. têmporas suadas levemente, a vontade de pensar em nada.
nós. duas (quantas?) garrafas de vinho de improviso. um conta do gosto, outro desconta com gosto, e nenhuma (graças!) aulinha sobre cepas. terroir. vodca feito água, menininha com vinho. a conversa, de longe, mais idiota do universo. urgentíssima.
um ponto, dos de vista. mais um, dos de nascença. te chamo pela primeira sílaba. passo a mais.
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Saulo
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19:43
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21.6.10
CHAI
A busca de um papel não tão limpo (ou nada limpo) e o passeio pelos quadradinhos da blusa dele.
Subir naquele carro foi como viajar para perto e parecer tão longe – até esqueço de onde vim.
Me vejo com fones nos ouvidos de ouvir conversa alheia. Na história do anônimo em mesa de café – conheça dez lugares para o primeiro encontro, veja roteiro.
Uma conversa de início de conversa, você sabe: o último namoro, os velhos namoros (caso existam), o bairro de nascença, a casa dos pais, as aflições mais belas de serem ditas.
E as perninhas, que peregrinam pelas linhas da camisa dele, quadradinho por quadradinho, até dizer chega – e chegar nunca chega.
Meio deitar na cama do quarto ainda infantil no sábado à noite – filme na Globo àquela hora – e imaginar o frame-por-frame. É um pouco voltar o calendário. Tão bobo que esqueço, a cada cinco minutos, o que ia escrever – e, olha, minha letras tá até certinha!
De novo aquele gosto: um sem-número de especiarias. Os próximos quadros são do mistério, mas só se anda e tal. E que seja bom, bem bom. E era para ser triste, bem triste. Sabe, mas fica até meio doce. Não tem como.
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Saulo
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01:54
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