27.9.08

se na cidade chovia, isso não era para ser sabido, porque eu não estava na Frei Caneca, eu estava na Cidade Líder. e me desculpe por ser específico falando o nome da rua do bairro do centro espandido e não falar a rua da zona leste; eu nem sei se era uma rua onde eu estava. mas o todo era escuro, e quando voltei para o centro, chovia, ventava e eu me sentia úmido, me perguntava por que chovia tanto. às vezes a gente vai para as outras zonas e o mundo é outro, toca Wilco, toca Scissor Sisters, e quando a gente vai embora já tá claro. nem parece que foi ontem.

24.9.08

manhã de quarta

acordei quando o relógio disse as horas
fiz as contas na cama: quatro mais cedo. levantei o tronco, estiquei as pernas

me perguntei quando

28.8.08

aqui do meu ramal posso tentar te ver passar lá em baixo, mas nem sempre eu posso. eles querem que eu fique sentado em frente ao cristal líquido, exercitando dedos, aleijando pulsos, grudando post-its.

há tantas cores mais bonitas de post-it do que amarelo aguado. esse aqui é tão 94...

tento te ver pelos vidros. as janelas são grandes e, quando abrem, a visão melhora bem, e eu me sinto meio poderoso de poder ver daqui, porque aí de baixo me dá vergonha: ando cabisbaixo, olho para o chão, não percebo que tudo aí é tão grande.

falo palavras que não falaria pra ninguém aqui de cima, e tenho menos vergonha, porque, em baixo, eu nem consigo falar, mesmo falando por dentro, porque o medo que você passe é maior.

agora eu falo. e me dói cortar em parágrafos ou estrofes. é como me rasgar e me virar do avesso.

às coisas novas

lembro de que quando conheci Dante as coisas não eram assim. e nem o modo de eu chegar, de sentar e ligar o aparelho era o mesmo. tudo que eu lia também era diferente. e isso não faz tanta falta, porque não dei um "adeus". só deixei ir.

por isso que todos os rostos pelos quais eu orava todas as noites não me faltam mais.

às coisas novas.

30.7.08

aquela estação tinha nome português. não um daqueles nomes que eu dizia serem portugueses aos 14 – era um português mesmo. só as pessoas que não pareciam nada ibéricas. uma delas foi a nipônica mais fofa que já vi. talvez fosse chinesa, coreana ou até mesmo portuguesa, mas o fato é que ela fugiu da pomba de maneira fartamente pueril – e é isso que importa.

eu descia a rua procurando um café e lamentando porque não havia chegado mais tarde, até o momento em que me censurei e falei que deve ser assim a partir de agora. apenas não me contive na hora da busca do café, que foi mais uma busca eterna -- assim como tudo que faço.

preciso sentar, escrever um pouco, cair na realidade.

a realidade era de mercadinhos mais fofos que a nipônica e de mais nipônicos – ou chineses, coreanos, portugueses – entre barracas de fruta e restaurantes minúsculos com chawans e hashis.

café hoje foi com açúcar, e houve, sim, amores breves de metrô.