3.11.08

fim de dez

para eles deve ser fácil, eu não disse. mas só de estar perto da clareira, com pouco verde, tudo branco, eu já me sinto bem. e não foi a primeira vez. lembra aquele tempo, a tantos quilômetros da cidade? eu no telefone tentando falar com o santo que nunca atendia, e você passando para espiar, feito criança. é que tudo que você faz vai ser feito criança, vide seu rosto de anos antes. mas eu devia ter me aproveitado da fragilidade de subir a escada com canas e limões, porque, quando peguei no seu braço, você disse que estaria mais tarde na escola, mas mais tarde seria o não-dia; foi quando eu tirei seu anel e levantei sua franja. como muda.

28.10.08

m. poole

num interim, depois de certas décadas, me virei do avesso para poder compartilhar e não precisar escrever. o observador perguntou por que não havia mais letras minhas por aí, ao que respondi que não era preciso, considerando a conjuntura de sorriso. quando se tem quem olhe, não é necessário procurar.


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aquela tarde de domingo foi a melhor da minha vida. de criança, era pão francês fresquinho, os homens da tevê, cheiro de café e um dos dois jornais, dependendo a quem a visita fosse ou do humor da mãe.

naquela, dentro do interim do avesso, era só eu, o observador e as ruas vazias. é claro que a gente não aproveitou bem, mas coisas dessa natureza são apenas descobertas quando já é tarde da noite. só digo que os passos e os passos e as palavras que viravam vapor me faziam feliz. e como feliz.

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horas antes do episódio de encerramento da temporada, aquele pelo qual todas as pessoas sentariam na sala para assistir, enquanto eu no computador e o outro nas ruas cheias, mandei aquela letra que ninguém sabia que eu gostava, que falava sobre paraíso, truques, promessa de fuga, como um sonho. fuga nas ruas vazias de domingo, como um sonho. mas apaguei.

20.10.08

uma vez ao ano, as florezinhas se reúnem em assembléia para discutir em que dia de outubro começam a cair
há as amarelas e as lilases
as primeiras são as mais numerosas, há muitas e muitas
hoje, no quase chegar, o vento soprou de maneira contundente e as flores todas voaram; nem adiantou a reunião
ou, talvez, as pequenas e o vento se reúnem conjuntamente
reunir conjuntamente, se é que isso faz sentido, ou se é que isso faz dois sentidos, mesmo sendo o mesmo

*

eu vou levando
em todos outubros o amarelo e o lilás vão continuar voando
meu coração, também, vai continuar batendo, batendo
pelo menos eu espero, por bons e grandes anos
por mais que esses anos possam ser tristes, de ficar gota no canto do olho
ou felizes, de pular e suar e grudar confete na testa
por mais que ser feliz ou ser triste possa ter a ver com as flores
ou ser feliz e triste possa a ter a ver, ou haver, de ter, com alguém, com outro alguém, com o outro, o de fora, ou o de fora que vira de dentro
eu queria que o de dentro saísse para fora, assim, com dois sentidos sendo o mesmo, sair e para fora
e queria que o de fora viesse para dentro, fora e dentro, assim, um contra o outro
é que é triste, muito triste, quando as coisas dão errado
a agüinha fica lá no canto

*

é egoísmo, eu acho
sim, eu acho, ou apenas acho, porque o , acho é, assim, mais inseguro
porque tudo é meio, assim, inseguro
como o assim
ocupa espaço
e não tem resposta

*

manda um beijo pra mãe
e pro pai, se tiver
e me traz a nova edição
se eu conseguir ler

27.9.08

se na cidade chovia, isso não era para ser sabido, porque eu não estava na Frei Caneca, eu estava na Cidade Líder. e me desculpe por ser específico falando o nome da rua do bairro do centro espandido e não falar a rua da zona leste; eu nem sei se era uma rua onde eu estava. mas o todo era escuro, e quando voltei para o centro, chovia, ventava e eu me sentia úmido, me perguntava por que chovia tanto. às vezes a gente vai para as outras zonas e o mundo é outro, toca Wilco, toca Scissor Sisters, e quando a gente vai embora já tá claro. nem parece que foi ontem.

24.9.08

manhã de quarta

acordei quando o relógio disse as horas
fiz as contas na cama: quatro mais cedo. levantei o tronco, estiquei as pernas

me perguntei quando