Primeiro foi ele esperando o ônibus sem trajes de gala. Um estranho no ninho. Depois foi a vez dos dois evidenciarem a contradição no semáforo. E batiam, um em cada janela. Marcas de dedos no vidro. E saltitavam, e batiam, e pediam, e imploravam. Quase me convenceram. Uma espécie de Populismo às avessas. Ele era menor, segurava bolos com figuras da Turma de Mônica. Será que ele sabia quem era Mônica? Cascão? Bob Esponja? Naquela idade eu tinha cabelos parecidos, o quádruplo de peso e Mônica era minha companhia diária. Noturna. Na outra janela, a outra vendia chicletes. Será igual a tantas mulheres de cabelos manchados. Essa reflexão me veio depois. Pediu-me água. Tudo aquilo era natural. Dei-lhe água. Verde. Tchau.
26.6.07
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Saulo
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23:01
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25.6.07
shrek
em vez de obrigações, comi. comi as obrigações, meio que junto de sorvete com calda de maçã verde e bolinhas crocantes. isso no Butantã. e em Pinheiros.
é, não fiz os textos sobre historiadores nem li o livro sobre tipografia; mas comi bureka nesse domingo de tempo estranho. esfriou. e parecia que ia chover.
sábado engoli conversas com pizzas em Perdizes. e o fim de semana foi assim, de obrigações comidas.
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Saulo
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00:52
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24.6.07
ne me quitte pas
"Ontem surgiu o vereador João Cláudio Moreno, do PC do B de Parnaíba (PI), que, propagandeando as belezas turísticas piauienses, disse a seguinte pérola: 'O Delta do Parnaíba é como uma menina de 15 anos. Linda, virgem e pronta para ser explorada. Aliás, 15 não, 13 anos.'"
[em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?aviso=yes&codigo=445563]
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Saulo
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04:22
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22.6.07
hoje peguei o carro e saí. não é a primeira vez que faço isto, sair dirigindo por aí sozinho, sem rumo certo, pela noite. tem época em que faço mais, tem época em que faço menos.
o trajeto não foi tão longo assim, nem foi longe nem demorado. passei pela Vital, Rebouças, virei, Paulista, Augusta, desci, Cardeal, Alvarenga.
olhava as pessoas, abria, fechava o vidro, ouvia música, trocava de estação, de cd, de pensamento.
nem lembro bem sobre que pensava.
não era sobre o dia tenso, definitivamente; nem sobre a prova oral, a escrita ou o fechamento do jornal. e nem sobre meus amigos que passaram pelos computadores e me deram biscoito e ceral em barra quase de madrugada.
lembro-me apenas de algumas reflexões sobre cerveja e café, sobre um ou outro amigo ou sobre aqueles fios de cabelo que fitei perto da Peixoto. mas acho que só.
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Saulo
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03:30
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18.6.07
nossos carros - (só eles) - juntinhos de bundas empinadas sozinhos parados olhando para o chão sob a copa das árvores frondosas. quem me dera estivessem eles de faróis acesos.
quiçá essa foi a cena mais bonita desse ano. mas um dia, deus queira, teremos um carro só ao invés de uma escova única de dentes. ou, melhor, venderemos os autos e alugaremos um apartamento. muitas festinhas no apê.
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Saulo
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01:45
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